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A capulana

  • Foto do escritor: Joana Simiao
    Joana Simiao
  • 31 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

As origens da capulana

Capulana é o nome que se dá ao pano que é, tradicionalmente, usado pelas mulheres em Moçambique para carregar os filhos às costas mas o seu uso vai muito mais além.


Historicamente, este pedaço de tecido de algodão estampado e colorido, tem as suas origens no continente asiático e chega a África nos séculos IX a X trazido pelos comerciantes árabes persas.

Quénia, Mombaça e Ilha de Moçambique terão sido os primeiros locais a ter contato com estes tecidos no continente africano.


No início a capulana era usada como moeda de troca entre povos e apenas os monarcas a usavam, como símbolo de ostentação e de representação de poder.


Uma parte integrante da cultura africana

Ao longo dos tempos este tecido difundiu-se amplamente nos usos e costumes da mulher africana e passou a ser parte integrante da sua cultura.

A capulana é usada nos países africanos de diferentes maneiras.


Em Moçambique, por exemplo, as mulheres usam-na no seu dia-a-dia e principalmente em cerimónias tradicionais como funerais, casamentos, ritos de iniciação, cerimónias mágico-religiosas, etc.

Em algumas localidades do norte de Moçambique, a forma como a mulher amarra a capulana determina o seu estado civil: casada, solteira, divorciada, viúva ou noiva.


Também chamada de “pano” em Angola, “kitenge” ou “chitengue” na Zâmbia, Namíbia e “canga” no Brasil, o seu uso vai muito além da moda: o tecido é usado pelas mulheres para carregar os seus filhos nas costas, para carregar trouxas, para inúmeras funções, como toalha, cortina, pano de mesa, entre outros.


Mas, quem pensa que é só um pedaço de tecido engana-se… o carinho e cuidado com que as mulheres tratam este tecido é distinto.

Para a mulher casada e mais velha, a capulana é um símbolo de riqueza. Estas são guardadas em malas de madeira, que muitas vezes recebem no dia do seu casamento. Ela passa a colecionar as capulanas que recebeu de presente no dia de seu matrimónio, e as restantes que poderá receber do marido como demonstração do seu amor, de cuidado e vontade de querer ver a sua esposa sempre bela.

Geralmente, as capulanas que ficam nesta mala só saem dela quando há uma ocasião especial. Quanto mais capulanas tiver, mais rica a mulher se considera.


Uma tendência com futuro

Hoje em dia é, cada vez mais, tendência de moda chamando a atenção de estilistas que a utilizam nas suas coleções.

Seja em roupa do dia-a-dia, de cerimónia ou mesmo em vestidos de noiva, a capulana é utilizada para fazer peças de roupa para toda a família e também acessórios.


Referências:

Santos, Telcinia dos, «Capulana: um tecido carregado de história» - Conexão Lusófona.

2 comentários


Graça Costa
Graça Costa
13 de out. de 2020

Tenho várias e não consigo decidir o que fazer com elas. Temos que conversar.

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rosariosimiao
31 de ago. de 2020

Adoro ... São tecidos lindos e obrigada por nos revelar a sua história!

Sucesso!

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